terça-feira, 1 de junho de 2010

O espécime

Por

Nazarethe Fonseca

Todos os direitos reservados a Autora®

(Revisado por Murilo Garcia)


A nave desceu suavemente no campo. Seus escudos de invisibilidade a protegeram do olhar curioso e investigativo dos humanos. O visitante desceu seguro e começou a sondar a área, o campo foi um bom local para a descida, havia dados completos sobre a localização exata do espécime que buscava. Era vital a sua civilização que o encontra-se. Movia-se com delicadeza pelo campo, não fazia ruídos, era leve e seus movimentos suaves. A criatura possuía corpo magro, esguio e se assimilava em muito a um homem. Mas bastaria fitá-lo por mais que um minuto para perceber que seus olhos eram bem maiores e sua boca era um risco único, o ser era desprovido de lábios e orelhas. Mas possuía uma audição bastante aguçada e foi ela que o levou até o espécime que buscava.

A mão um tanto longa tocou a espiga de milho com cuidado a palha o feriu, uma gota de seu sangue caiu sobre a terra e uma reação se fez ver de imediato. Uma bola dura e leve de areia começou a flutuar no ar. O visitante a pegou no ar e guardou, pois uma luva na mão longa e protegeu seus quatro dedos. Preparado ele segurou a espiga de milho e cuidadosamente passou a remover a casca. Buscava algo, não os tenros e suculentos grãos verdes do milho verde, mas um pequeno ser que fazia da espiga sua casa e proteção. A lagarta verde devorava o milho e por um instante moveu-se buscando um local mais seguro, afinal sentiu a proteção da casca desaparecer. O visitante buscou na cintura, na veste delicada um recipiente e a recolheu cuidadosamente. E assim prosseguiu por mais meia hora, ao fim tinha consigo quase trinta espécimes. Atrás de si, jaziam espigas atiradas, destruídas.

Um som fez o visitante voltar-se para trás. O cachorro o olhou e latiu, o visitante o olhou e por um segundo aspirou o ar a sua volta. O achou interessante. Abaixou-se e estendeu-lhe a mão. O cachorro balançou a calda amigavelmente e deixou-se tocar.

O ser simplesmente vasculhou seu pêlo e recolheu alguns parasitas. O cachorro sentou-se e se coçou. O visitante decidiu partir, seu tempo findava com o dia que vinha para destruir seu melhor disfarce a escuridão.

O cachorro o seguia e balançava a calda alegremente, ele gostou de tê-lo próximo e se sentiu repleto de uma emoção desconhecida. Estava a porta da espaçonave quando viu o cachorro tentar segui-lo. Mas o deteve e o olhou com seus olhos estranhos com pesar e afagou-lhe o pelo castanho. O cachorro recuou e esperou enquanto aquele estranho homem o fitava e por fim com um gesto o convidou a segui-lo.

O cachorro latiu e animadamente o seguiu para dentro da nave. Onde foi recebido por outros estranhos homens que lhe ofereceram acento e logo entendiam sua língua feita de latidos e sons. O animal lhes falou de uma vida dura e cansativa, de maus tratos, de falta de atenção e que buscava ser livre.

O visitante o tocou novamente e o libertou da coleira de couro que usava e decidiu que ele o levaria consigo, mas este animal não seria um espécime,seria um igual.Afinal aquela era a forma mais inteligente de vida que ele já havia visto naquele pequeno planeta chamado Terra.

Gostou? Então copie esse post para seu Blog:

0 comentários:

 
© 2009 Template feito por Perfect Downs